China e Rússia manifestam apoio ao Brasil contra interferência externa nas eleições
Vladimir Putin e Xi Jinping se manifestaram contra pressões externas sobre o Brasil e passaram a incluir o processo eleitoral brasileiro nas manifestações em defesa da soberania do país.
China e Rússia adotaram nos últimos meses uma posição de apoio à soberania brasileira diante das tensões envolvendo interferências externas no país. As manifestações ganharam ainda mais peso durante o período eleitoral, quando representantes das duas potências defenderam publicamente a autonomia do Brasil e o direito de decidir seus próprios assuntos sem pressão estrangeira.
Em setembro, durante um encontro entre os ministros das Relações Exteriores Mauro Vieira, do Brasil e Sergei Lavrov, da Rússia, em Nova York, o chanceler brasileiro apresentou os preparativos para o pleito. Segundo dados apurados, os dois defenderam a necessidade de garantir a livre manifestação da vontade popular “sem interferência externa nos assuntos internos”.
O posicionamento russo voltou a aparecer depois das eleições. Nesta semana, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, citou especificamente o Brasil ao falar sobre tentativas de interferência estrangeira em processos eleitorais, como o caso da Meta com o impulsionamento de postagens à favor de Flávio Bolsonaro. Medvedev afirmou que o país enfrentou uma situação difícil para preservar sua soberania durante a eleição presidencial.
A China adotou posição semelhante. Em junho, durante encontro entre Mauro Vieira e o chanceler chinês Wang Yi, em Pequim, o governo de Xi Jinping declarou apoio ao Brasil na defesa da soberania nacional, da independência e da autonomia. Wang também afirmou que os dois países deveriam enfrentar conjuntamente os desafios externos.
Um mês depois, o próprio Xi Jinping reforçou a posição durante uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo comunicado oficial do governo chinês, Xi afirmou que Pequim apoia os esforços brasileiros para preservar sua soberania e independência e se opõe à interferência externa.
Toda a discussão se dá, é claro, devido aos últimos posicionamentos de Donald Trump frente aos resultados da eleição à presidência no Brasil, onde ele afirma que, apesar de não ter predileção por nenhum dos ex-candidatos, considerou os resultados suspeitos e fraudulentos. Flávio Bolsonaro, que fugiu em asilo político nos EUA, declarou no dia do resultado que não considera Luiz Inácio Lula da Silva seu presidente e que iria recorrer à decisão com seus advogados por conta de confusões na prorrogação do horário de votação.