A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos abriu um novo capítulo de sua reação à derrota para Luiz Inácio Lula da Silva. Instalado em território norte-americano, o senador passou a questionar a legitimidade da eleição brasileira e adotou uma narrativa semelhante à utilizada por Donald Trump desde 2020: a de que um resultado desfavorável nas urnas teria sido provocado por fraude.

Flávio desembarcou em Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil e passar pela Argentina. Pouco depois, publicou uma carta contestando o resultado da eleição. Em uma primeira versão do documento, chegou a se apresentar como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O trecho acabou sendo modificado e o senador passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”.

Na mensagem, Flávio também agradeceu diretamente a Trump pelo apoio durante sua saída do país. O presidente dos Estados Unidos confirmou que o governo americano autorizou a entrada do senador, mas não endossou sua alegação de vitória. Questionado sobre o assunto, evitou reconhecer Flávio como presidente eleito e afirmou que não pretendia interferir diretamente na disputa brasileira.

Trump, entretanto, também colocou dúvidas sobre o resultado das urnas. Nesta quinta-feira (29), ao ser questionado sobre quem considerava o presidente legítimo do Brasil, o republicano não deu uma resposta direta e classificou o processo eleitoral brasileiro como uma “vergonha”. Em outra declaração, já havia chamado a eleição de “muito estranha”.

A aproximação entre os discursos fica ainda mais evidente diante da própria trajetória de Trump. Após perder a eleição de 2020 para Joe Biden, o republicano se recusou a reconhecer o resultado e passou a sustentar que uma fraude em larga escala teria impedido sua reeleição. A acusação não foi comprovada, apesar de processos judiciais, auditorias e recontagens realizadas após o pleito.

Em julho, Trump apareceu em Washington usando um boné com a inscrição “Trump 2028”, em referência a uma nova candidatura. A Constituição americana, no entanto, possibilita apenas dois mandatos consecutivos, como no Brasil. Tanto Flávio quanto Trump se utilizam da mesma estratégia de suspeita e fraude nas eleições para projetar forçadamente um novo mandato.